domingo, 19 de fevereiro de 2012

Linguagem, teorias, debates e convite

De acordo com o Sr. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, mais conhecido como Aurélio (o do dicionário, para quem não sabe), linguagem é "1. O uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre pessoas. 2. A forma de expressão pela linguagem própria dum indivíduo, grupo, classe, etc. 3. Vocabulário; palavreado". Além disso, Aurélio define algumas formas de linguagem, como se segue:

"Linguagem artificial: aquela deliberadamente criada por um grupo de especialistas para servir a determinado propósito.
Linguagem de máquina: linguagem de programação em que instruções e dados são representados como sequências de dígitos binários, não exigindo processamento adicional ou tradução prévia para execução.
Linguagem de programação: conjunto de instruções e regras de composição e encadeamento, por meio do qual se representam ações executáveis por um computador.
Linguagem natural: qualquer linguagem de uso geral, escrita e/ou falada por uma comunidade humana." (Minidicionário Escolar Aurélio, Ed. Nova Fronteira)

Muito, que bem. Todo o conhecimento é baseado em linguagens. Toda teoria, por mais sofisticada que seja, tem base em conceitos primitivos, predefinidos, ou seja, conceitos definidos pura e simplesmente por uma linguagem. Por exemplo, uma cadeira é definida como cadeira, sem questionamentos, mas pode ter utilidades diversas, como escorar uma porta, servir de peso para papel, para enfeitar uma sala ou, mesmo, para se sentar. Outro exemplo são os chamados "termos primitivos" em ciência, que são conceitos tão básicos que são impossíveis de definir através de outros conceitos, ou de definição desnecessária; os termos primitivos são definidos apenas por uma linguagem.

Toda ideia ou teoria, se possuir uma boa base de termos primitivos (que devem ser considerados inquestionáveis, caso contrário, a teoria não tem fundamento ou é fraca) deve ser expressa por uma linguagem muito bem definida e concisa, coerente. A partir do momento em que a linguagem dá margem a conceitos dúbios ou não esclarecidos, tal ideia ou teoria não tem fundamento. Portanto, para se formular qualquer tese, faz-se necessário conhecer muito bem o assunto, definir muito bem os termos primitivos e torná-los inquestionáveis e, principalmente, dominar muito bem a linguagem, seja ela qual for.

O leitor deve se perguntar por que é importante este texto em sua vida. Bem, ninguém é obrigado a ler, da mesma forma que eu escrevo por prazer, não para incutir ideias e muito menos incitar alguma coisa (vide o meu primeiro texto, o Prólogo). Mas, se quiser continuar lendo, ótimo, ficarei muito contente, e espero que aproveite os próximos parágrafos. São técnicas que podem ajudar na persuasão e na compreensão.

Obviamente, certos assuntos podem ser muito subjetivos para os leigos, como esportes, política, religião, costumes (não confundir com tradições), etc. Quando ocorre um debate leigo sobre tais assuntos, não deve haver preocupação com o que é realmente o correto: ninguém sabe, mesmo. Quem falar mais alto, ganha. É o tipo de debate em que ninguém concorda com ninguém, em que não há o objetivo de troca de ideias. É apenas uma batalha de quem grita mais alto, de quem aguenta a pilha por mais tempo, de quem fica "boladão" mais rápido, e de quem acaba desistindo. Quem não desiste ganha, não porque dominou a linguagem e não porque convenceu, mas por pura falta de rumo que o assunto tem.

Tendo em vista a ignorância de todos nós para quase todos os assuntos, nos limitamos a debater sobre aquilo que faz parte de nossa vida. E esses assuntos são o quê? Esportes, política, religião, costumes, e por aí vai. É por isso que ninguém se entende. Não só por isso, tem gente que é blindada, mesmo (a gente fala, as ideias batem na cabeça e voltam, a pessoa não entende). Mas o grande problema é que a maioria das pessoas têm aquela necessidade estrema de deter a razão a qualquer custo: a pessoa está errada, sabe que está errada, mas não dá o braço a torcer e nem diz "eu errei". Ora, isso acontece em praticamente todas as relações humanas.

Particularmente, aprendi com um amigo a deixar um pouco de lado essa necessidade extrema de deter a razão que eu não tenho, e até mesmo a ceder quando tenho razão, dizendo "é, você tem razão". Hoje, para mim, chega a ser engraçado: inicialmente, eu discutia com uma pessoa, não dávamos o braço a torcer e ficávamos ambos de mal, brigados; hoje, eu até dou a razão, mesmo quando eu tenho a razão (não sou dono da verdade, eu erro mais do que acerto), mas sei reconhecer quando não tenho argumentos plausíveis e sei quando o meu interlocutor é cabeça-dura o bastante a ponto de eu gastar meu latim em vão. É, eu não mais gasto meu latim em vão. Eu fico chateado na hora e meu interlocutor feliz por vencer o debate, mas é melhor do que os dois ficarem brigados, de mau, e blá-blá-blá. A chateação passa, depois.

Fica, pois, a minha sugestão: numa conversa ou debate, conheça pelo menos um pouco do que se vai falar. Utilize dados, dê a fonte, formule uma teoria através dos termos primitivos. Utilize uma linguagem clara e concisa (e correta)! Ao menos, conjugue os verbos corretamente. Não tenha medo de pedir uma pausa para pensar, para fazer um diagrama. Isso é muito bom para organizar as ideias. Seja absolutamente racional e imparcial: cada pessoa tem uma criação, um mundo, um ponto de vista, gerando diferentes formas de pensamento; utilize regras gerais válidas ou, quando estas não forem convenientes, faça uma teoria para cada ponto de vista.

Por fim, sugiro ao menos uma hora de leitura por dia. Leia de tudo: gibis infantis, quadrinhos adultos, jornais de grande circulação, revistas científicas e de fofoca, poesias, crônicas, o meu blog... de tudo, mesmo! Além de ajudar a melhorar a compreensão e o vocabulário, o conhecimento dos assuntos por pontos de vista diferentes dá uma visão panorâmica das coisas, dando-lhe a capacidade de formular opiniões próprias e se libertando da alienação por parte da mídia e do modismo vigente.

Faço um convite, também, para o debate de temas diversos. Podemos manter contato por e-mail ou pelo Facebook para praticar a expressão escrita (digitada, no caso), ou mesmo marcar um domingo para conversar, debater, ler. Chame também outras pessoas para fazer o mesmo, se eu estiver indisponível ou morar longe.

A importância disso na minha vida é a seguinte: hoje eu faço parte de diversos grupos, sei conversar sobre quaisquer assuntos da atualidade e dificilmente fico deslocado. O ser humano, por mais misantropo que seja (é o meu caso) necessita da convivência com outros, seja para se completar, para trocar ideias e conhecimentos, enfim, para viver.

Espero seu contato!

Nenhum comentário:

Postar um comentário