terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Eu me amo

Um relacionamento não deve ser encarado como um contrato, como uma obrigação e nem como uma corrente (no sentido daquilo que prende). Um relacionamento afetivo, amoroso, é aquele que se despe das responsabilidades, é aquele que liberta. Um bom relacionamento consiste na simples troca de energia afetiva: amor. A partir disso, tudo de bom é consequência: carinho, compreensão, cuidado, cumplicidade, apoio, fidelidade. Aquela coisa bonita de duas pessoas serem uma só não é utopia; o que acontece é que a gente se engana, pensando que achou a outra metade, no desespero de resolver tudo da forma mais rápida. Um atalho não é o caminho mais seguro, e nem sempre leva ao caminho desejado.

Tem aquele ditado: "antes só do que mal acompanhado". Melhor esperar por aquele sentimento verdadeiro, leve e bonito aparecer. A felicidade é uma coisa que depende só da gente, vem de dentro pra fora; quando a gente se aventura por caminhos incertos, a dúvida toma conta e a tal da felicidade pode acabar ficando em segundo plano; mas quando se acha a pessoa certa, um abraço: até os problemas mais difíceis serão vencidos.

Um bom relacionamento é aquele em que não há desconfiança, onde há leveza. É aquele em que, em vez de a pessoa suscitar os possíveis problemas, já traz ou ao menos pede uma solução.

Que tal usar um pouco da racionalidade para potencializar os sentimentos? Será que a gente sente a coisa certa pela pessoa certa? Primeiro, a autovalorização, depois a gente pensa em gostar de outra pessoa.

O segredinho é simples: "eu me amo, não posso mais viver sem mim" (citação: "Eu me amo", de Roger Moreira). Não podemos nos perder por causa de outra pessoa.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Linguagem, teorias, debates e convite

De acordo com o Sr. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, mais conhecido como Aurélio (o do dicionário, para quem não sabe), linguagem é "1. O uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre pessoas. 2. A forma de expressão pela linguagem própria dum indivíduo, grupo, classe, etc. 3. Vocabulário; palavreado". Além disso, Aurélio define algumas formas de linguagem, como se segue:

"Linguagem artificial: aquela deliberadamente criada por um grupo de especialistas para servir a determinado propósito.
Linguagem de máquina: linguagem de programação em que instruções e dados são representados como sequências de dígitos binários, não exigindo processamento adicional ou tradução prévia para execução.
Linguagem de programação: conjunto de instruções e regras de composição e encadeamento, por meio do qual se representam ações executáveis por um computador.
Linguagem natural: qualquer linguagem de uso geral, escrita e/ou falada por uma comunidade humana." (Minidicionário Escolar Aurélio, Ed. Nova Fronteira)

Muito, que bem. Todo o conhecimento é baseado em linguagens. Toda teoria, por mais sofisticada que seja, tem base em conceitos primitivos, predefinidos, ou seja, conceitos definidos pura e simplesmente por uma linguagem. Por exemplo, uma cadeira é definida como cadeira, sem questionamentos, mas pode ter utilidades diversas, como escorar uma porta, servir de peso para papel, para enfeitar uma sala ou, mesmo, para se sentar. Outro exemplo são os chamados "termos primitivos" em ciência, que são conceitos tão básicos que são impossíveis de definir através de outros conceitos, ou de definição desnecessária; os termos primitivos são definidos apenas por uma linguagem.

Toda ideia ou teoria, se possuir uma boa base de termos primitivos (que devem ser considerados inquestionáveis, caso contrário, a teoria não tem fundamento ou é fraca) deve ser expressa por uma linguagem muito bem definida e concisa, coerente. A partir do momento em que a linguagem dá margem a conceitos dúbios ou não esclarecidos, tal ideia ou teoria não tem fundamento. Portanto, para se formular qualquer tese, faz-se necessário conhecer muito bem o assunto, definir muito bem os termos primitivos e torná-los inquestionáveis e, principalmente, dominar muito bem a linguagem, seja ela qual for.

O leitor deve se perguntar por que é importante este texto em sua vida. Bem, ninguém é obrigado a ler, da mesma forma que eu escrevo por prazer, não para incutir ideias e muito menos incitar alguma coisa (vide o meu primeiro texto, o Prólogo). Mas, se quiser continuar lendo, ótimo, ficarei muito contente, e espero que aproveite os próximos parágrafos. São técnicas que podem ajudar na persuasão e na compreensão.

Obviamente, certos assuntos podem ser muito subjetivos para os leigos, como esportes, política, religião, costumes (não confundir com tradições), etc. Quando ocorre um debate leigo sobre tais assuntos, não deve haver preocupação com o que é realmente o correto: ninguém sabe, mesmo. Quem falar mais alto, ganha. É o tipo de debate em que ninguém concorda com ninguém, em que não há o objetivo de troca de ideias. É apenas uma batalha de quem grita mais alto, de quem aguenta a pilha por mais tempo, de quem fica "boladão" mais rápido, e de quem acaba desistindo. Quem não desiste ganha, não porque dominou a linguagem e não porque convenceu, mas por pura falta de rumo que o assunto tem.

Tendo em vista a ignorância de todos nós para quase todos os assuntos, nos limitamos a debater sobre aquilo que faz parte de nossa vida. E esses assuntos são o quê? Esportes, política, religião, costumes, e por aí vai. É por isso que ninguém se entende. Não só por isso, tem gente que é blindada, mesmo (a gente fala, as ideias batem na cabeça e voltam, a pessoa não entende). Mas o grande problema é que a maioria das pessoas têm aquela necessidade estrema de deter a razão a qualquer custo: a pessoa está errada, sabe que está errada, mas não dá o braço a torcer e nem diz "eu errei". Ora, isso acontece em praticamente todas as relações humanas.

Particularmente, aprendi com um amigo a deixar um pouco de lado essa necessidade extrema de deter a razão que eu não tenho, e até mesmo a ceder quando tenho razão, dizendo "é, você tem razão". Hoje, para mim, chega a ser engraçado: inicialmente, eu discutia com uma pessoa, não dávamos o braço a torcer e ficávamos ambos de mal, brigados; hoje, eu até dou a razão, mesmo quando eu tenho a razão (não sou dono da verdade, eu erro mais do que acerto), mas sei reconhecer quando não tenho argumentos plausíveis e sei quando o meu interlocutor é cabeça-dura o bastante a ponto de eu gastar meu latim em vão. É, eu não mais gasto meu latim em vão. Eu fico chateado na hora e meu interlocutor feliz por vencer o debate, mas é melhor do que os dois ficarem brigados, de mau, e blá-blá-blá. A chateação passa, depois.

Fica, pois, a minha sugestão: numa conversa ou debate, conheça pelo menos um pouco do que se vai falar. Utilize dados, dê a fonte, formule uma teoria através dos termos primitivos. Utilize uma linguagem clara e concisa (e correta)! Ao menos, conjugue os verbos corretamente. Não tenha medo de pedir uma pausa para pensar, para fazer um diagrama. Isso é muito bom para organizar as ideias. Seja absolutamente racional e imparcial: cada pessoa tem uma criação, um mundo, um ponto de vista, gerando diferentes formas de pensamento; utilize regras gerais válidas ou, quando estas não forem convenientes, faça uma teoria para cada ponto de vista.

Por fim, sugiro ao menos uma hora de leitura por dia. Leia de tudo: gibis infantis, quadrinhos adultos, jornais de grande circulação, revistas científicas e de fofoca, poesias, crônicas, o meu blog... de tudo, mesmo! Além de ajudar a melhorar a compreensão e o vocabulário, o conhecimento dos assuntos por pontos de vista diferentes dá uma visão panorâmica das coisas, dando-lhe a capacidade de formular opiniões próprias e se libertando da alienação por parte da mídia e do modismo vigente.

Faço um convite, também, para o debate de temas diversos. Podemos manter contato por e-mail ou pelo Facebook para praticar a expressão escrita (digitada, no caso), ou mesmo marcar um domingo para conversar, debater, ler. Chame também outras pessoas para fazer o mesmo, se eu estiver indisponível ou morar longe.

A importância disso na minha vida é a seguinte: hoje eu faço parte de diversos grupos, sei conversar sobre quaisquer assuntos da atualidade e dificilmente fico deslocado. O ser humano, por mais misantropo que seja (é o meu caso) necessita da convivência com outros, seja para se completar, para trocar ideias e conhecimentos, enfim, para viver.

Espero seu contato!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Bom senso

Que mundo é esse, em que temos vergonha de abraçar um amigo? Que mundo é esse, em que escondemos nossos sentimentos mais nobres? Que mundo é esse, em que o rótulo vale mais do que o conteúdo? Que mundo é esse, em que o material vale mais do que o sentimento?

Ainda não sei bem responder a essas perguntas, mas vamos aos fatos: amigos não podem se abraçar, porque já confundem o tipo de afeto que existe, o tal do preconceito impera; demonstrar amor e os bons sentimentos em geral são vistos como fraqueza, como uma coisa vã, inútil; uma imagem vale mais do que os reais efeitos causados pelo que cada um pode e potencialmente pode fazer; cada um tem um preço, seja baixo ou alto, a ponto de vender os próprios sentimentos.

Minha intenção, aqui, não é dar lições de moral e nem apresentar um tutorial de como se deve agir. Estou apenas falando sobre o que eu tenho observado nesses meus 24 anos de planeta Terra. Tenho colocado muita coisa na balança do bom senso, e confesso que tenho mudado meu ponto de vista e minha opinião frente a determinados assuntos.

Pois bem, somos dotados de cinco sentidos físicos (tato, visão, audição, paladar e olfato), de um sentido psicológico (o tal do sexto sentido), de um sentido espiritual (dado por uma crença ou por uma religião) e de um sentido racional (que aqui definirei por bom senso). Excetuando-se o bom senso, todos os sentidos citados aqui podem ser enganosos em determinado instante. Os sentidos físicos são comprovadamente falhos quando submetidos às condições não-ideais; quando se usa o sexto sentido, nem sempre a predição é verdadeira; e nem sempre compreendemos, de fato, a parte espiritual, dadas as várias interpretações possíveis sobre determinado feito ou fato "sacro". O equilíbrio está no bom senso. É tal sentido racional que põe as coisas no lugar devido. Mas há de se aprender a usá-lo.

(Convém salientar que não defino emoção como um sentido, mas como um dado estado psíquico. Isso porque, ao meu ver, os sentidos dos quais falei acima são intrínsecos ao dado indivíduo, enquanto que as emoções partem também de dentro de cada um, mas frente a acontecimentos externos.)

A racionalidade é um dom humano: o homem é o único ser terreno capaz de utilizá-lo. Compreenda-se: todos os animais são inteligentes, mas só o ser humano é dotado do raciocínio, e é por isso chamado animal racional. Mas é compreensível que o homem, também dotado de sentimentos, se desvie do bom senso. E vou além: se for usado bem o bom senso, pode-se concluir que às vezes é melhor deixar de ser completamente racional para dar lugar aos sentimentos. Não darei exemplos, até porque cada um sabe que a vida é feita de escolhas, de apegos e desapegos pessoais ou materiais.

E é toda essa coisa que transita entre o racional, o sensorial, e o emocional que dá origem às diversas formas de ação, sejam coerentes, sejam preconceituosas. Então, voltamos às questões do primeiro parágrafo. E, pelo menos de minha parte, não há fundamento em respondê-las, porque creio que sejam problemas originados pelo preconceito; dessa forma, sem fundamento. Portanto, digo que basta usar o bom senso, refletir um pouco e reavaliar certas atitudes e valores. Que tal dizer que ama o amigo, dar-lhe um abraço efusivamente carinhoso (sem desrespeito)? Que tal dizer que ama a pessoa que ama (sem ultrapassar os limites do inconveniente, claro)? Que tal olharmos mais para dentro das pessoas, sem deixar que os nossos cinco sentidos físicos, o sexto e o espiritual nos iludam? E que tal darmos mais valor às coisas que o dinheiro não compra (como naquela publicidade do cartão de crédito)?

Particularmente, tenho me preocupado com essas coisas. Porque, francamente, já estou cansado de ver tanta guerra gerada por idiossincrasias bestas e preconceituosas, sem fundamento realmente humano e sustentável. Permitam-me plagiar um texto do filme "V de Vingança": o bom senso é à prova de balas".