Que mundo é esse, em que temos vergonha de abraçar um amigo? Que mundo é esse, em que escondemos nossos sentimentos mais nobres? Que mundo é esse, em que o rótulo vale mais do que o conteúdo? Que mundo é esse, em que o material vale mais do que o sentimento?
Ainda não sei bem responder a essas perguntas, mas vamos aos fatos: amigos não podem se abraçar, porque já confundem o tipo de afeto que existe, o tal do preconceito impera; demonstrar amor e os bons sentimentos em geral são vistos como fraqueza, como uma coisa vã, inútil; uma imagem vale mais do que os reais efeitos causados pelo que cada um pode e potencialmente pode fazer; cada um tem um preço, seja baixo ou alto, a ponto de vender os próprios sentimentos.
Minha intenção, aqui, não é dar lições de moral e nem apresentar um tutorial de como se deve agir. Estou apenas falando sobre o que eu tenho observado nesses meus 24 anos de planeta Terra. Tenho colocado muita coisa na balança do bom senso, e confesso que tenho mudado meu ponto de vista e minha opinião frente a determinados assuntos.
Pois bem, somos dotados de cinco sentidos físicos (tato, visão, audição, paladar e olfato), de um sentido psicológico (o tal do sexto sentido), de um sentido espiritual (dado por uma crença ou por uma religião) e de um sentido racional (que aqui definirei por bom senso). Excetuando-se o bom senso, todos os sentidos citados aqui podem ser enganosos em determinado instante. Os sentidos físicos são comprovadamente falhos quando submetidos às condições não-ideais; quando se usa o sexto sentido, nem sempre a predição é verdadeira; e nem sempre compreendemos, de fato, a parte espiritual, dadas as várias interpretações possíveis sobre determinado feito ou fato "sacro". O equilíbrio está no bom senso. É tal sentido racional que põe as coisas no lugar devido. Mas há de se aprender a usá-lo.
(Convém salientar que não defino emoção como um sentido, mas como um dado estado psíquico. Isso porque, ao meu ver, os sentidos dos quais falei acima são intrínsecos ao dado indivíduo, enquanto que as emoções partem também de dentro de cada um, mas frente a acontecimentos externos.)
A racionalidade é um dom humano: o homem é o único ser terreno capaz de utilizá-lo. Compreenda-se: todos os animais são inteligentes, mas só o ser humano é dotado do raciocínio, e é por isso chamado animal racional. Mas é compreensível que o homem, também dotado de sentimentos, se desvie do bom senso. E vou além: se for usado bem o bom senso, pode-se concluir que às vezes é melhor deixar de ser completamente racional para dar lugar aos sentimentos. Não darei exemplos, até porque cada um sabe que a vida é feita de escolhas, de apegos e desapegos pessoais ou materiais.
E é toda essa coisa que transita entre o racional, o sensorial, e o emocional que dá origem às diversas formas de ação, sejam coerentes, sejam preconceituosas. Então, voltamos às questões do primeiro parágrafo. E, pelo menos de minha parte, não há fundamento em respondê-las, porque creio que sejam problemas originados pelo preconceito; dessa forma, sem fundamento. Portanto, digo que basta usar o bom senso, refletir um pouco e reavaliar certas atitudes e valores. Que tal dizer que ama o amigo, dar-lhe um abraço efusivamente carinhoso (sem desrespeito)? Que tal dizer que ama a pessoa que ama (sem ultrapassar os limites do inconveniente, claro)? Que tal olharmos mais para dentro das pessoas, sem deixar que os nossos cinco sentidos físicos, o sexto e o espiritual nos iludam? E que tal darmos mais valor às coisas que o dinheiro não compra (como naquela publicidade do cartão de crédito)?
Particularmente, tenho me preocupado com essas coisas. Porque, francamente, já estou cansado de ver tanta guerra gerada por idiossincrasias bestas e preconceituosas, sem fundamento realmente humano e sustentável. Permitam-me plagiar um texto do filme "V de Vingança": o bom senso é à prova de balas".
Concordo... Muita coisa ta errada em muitas coisas da vida... Enfim, mas para quem consegue ter que preserve as verdadeiras amizades. Tenho poucas verdadeiras e não dispenso por mero julgamento de sociedade.. Sei de mim e me entendo e alguns de meus amigos tbm.. os outros, são os outros.
ResponderExcluirBom post Quimicão.
Essa é um visão de mundo bem singular, Caro Amigo, porque nem tudo que lembro ter sido convencionado bom para todos ou ter sido convencionalmente bom para alguns foi bom para mim, ou continuou sendo bom para outros e, quase nunca, também, o foi para mim.
ResponderExcluirGrande abraço, Rafael.